Uma provocação muito simples, mas que discutida em conjunto, rende mais de mil conversas de bar. O estudo, como interação, são os debates; o brainstorm ou só o storm, mas o que importa é que ele não está preso à parede de cor pastel, muito menos ao frio ar-condicionado de instituições. Se entendermos o estudo como uma meta-percepção (no caso, perceber uma percepção), incluímos no "nosso currículo" todo nosso estudo diário, que não é mais ou menos valoroso do que o estudo acadêmico. Então quando você não percebe, não estuda. Perceber é se atentar para qualquer ação e criar um sentido para ela. Estudar seria então investigar mais a fundo essas percepções primeiras. Quando você percebe seu tema de apreensão, você - pelo menos - começou a sua pesquisa. O processo investigativo engloba uma expressão do português brasileiro chamado "conversa de botequim". Seriam conversas sem preocupação teórica e, muito menos, compromisso com uma "verdade". Se entendemos que no mundo acadêmico verdade é sinônimo de premissa, talvez sejam nas conversas de bar que devemos confiar...
E por essas conversas, pude perceber que o funk é um estilo musical que merece um direcionamento de percepção: um estudo. As narrativas criadas sobre temas do cotidiano das favelas, as pilhérias e gírias entre a rapaziada funkeira, a importância da expressão do funk como estilo musical pop e underground ao mesmo tempo, são temas que a "cidade baixa" prefere não discutir: modas funkeiras ou são aderidas sem especificidade de origem ou são tidas como um esteriótipo de pobreza ou favela. Mesmo com a exaltação dos funkeiros pops nos canais de comunicação mais poderosos do Brasil, ainda existem essas mesmas músicas com versões censuradas. Mesmo que a Valesca Popuzada seja um ícone feminista, ainda dizem que não pode pertencer a um "Hall da Fama" de músicos pensadores. O que os funkeiros pensam disso? Agora é hora de escutarmos.
A investigação que proponho é sobre o tratamento entre sociedade brasileira e funk. Não que os funkeiros não façam parte da sociedade, muito pelo contrário. Mas essa relação ambígua de amor e ódio, pautada em parâmetros sociais totalmente elitizados, precisa ser desvendada. Não proponho uma busca da verdade, nem da imparcialidade, mas a abertura da caixa-preta. Ainda tem alguém disposto aí a estudar por estudar? Então, vem todo mundo!
Eduardo Falcão da Rocha
Parabéns pela matéria. Muito boa a sua abordagem. Curti.
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